Tecendo…
… e foi assim que, dia desses, procurando o nó, a extremidade do fio com o qual teceria meu discurso, dei-me conta, enfim, do emaranhado em que me perdera. Recostei-me na cadeira, tinha a visão turva, olhos e ouvidos ressentidos pela prolixidade das imagens e sons, das ondas e pixeis, dos zeros e uns vindos de toda parte. Já não sabia por qual lado puxar, por qual fio começar, que nó desatar. Asfixiavam-me os incontáveis nós que surgiam antes que pudesse lidar com o primeiro, e quando tentei me afastar, deixando de lado toda confusão, eis que os fios enroscaram-se aos meus pés… E na minha aflição, num movimento brusco, puxei a tomada… Imediatamente, a tela escureceu diante dos meus olhos. Na penumbra da sala silenciosa, fixei o olhar num ponto distante, repousei os punhos sobre o teclado e, com os pés livres, respirei aliviado…
D.T.

Diego Teixeira.