Salve o Dia

Um fato

Publicado em Coisas que saem da minha cabeça... por Diego Teixeira em Fevereiro 19, 2009

Ações perduram mais do que suas respectivas motivações, eis mais um fato. Tantas boas intenções pelo inferno, e tantas ações desacompanhadas a nos assombrar a memória. “Contra fatos não há argumentos”, é o que dizem. Somos adoradores dos fatos: os fatos do dia, os fatos da semana, os fatos do mês, os fatos do ano… Adoramos os fatos em sua superficialidade: a notas curta do jornal, a fofoca desprezando motivações, o resumo do livro… Na universidade aprendo fatos. Me perguntam sobre os fatos de que não sei, pouco posso dizer daqueles de que sei e tenho algo a dizer. Somos adoradores dos fatos, e acima de tudo da superficialidade. Condenamos boas intenções ao inferno. Desprezamos motivações. Só nos restam ações, reações e mágoas sem motivo…

D.T.

Tecendo…

Publicado em Coisas que saem da minha cabeça... por Diego Teixeira em Junho 29, 2008

… e foi assim que, dia desses, procurando o nó, a extremidade do fio com o qual teceria meu discurso, dei-me conta, enfim, do emaranhado em que me perdera. Recostei-me na cadeira, tinha a visão turva, olhos e ouvidos ressentidos pela prolixidade das imagens e sons, das ondas e pixeis, dos zeros e uns vindos de toda parte. Já não sabia por qual lado puxar, por qual fio começar, que nó desatar. Asfixiavam-me os incontáveis nós que surgiam antes que pudesse lidar com o primeiro, e quando tentei me afastar, deixando de lado toda confusão, eis que os fios enroscaram-se aos meus pés… E na minha aflição, num movimento brusco, puxei a tomada… Imediatamente, a tela escureceu diante dos meus olhos. Na penumbra da sala silenciosa, fixei o olhar num ponto distante, repousei os punhos sobre o teclado e, com os pés livres, respirei aliviado…

D.T.

Incontável…

Publicado em Coisas que saem da minha cabeça... por Diego Teixeira em Maio 20, 2008

Um homem conta tantas vezes as suas histórias, que se torna as próprias histórias. E as histórias sobrevivem-lhe. E é assim que ele se torna imortal. (do filme Big Fish, Tim Burton)

(…)

luz e sombras...O rádio-relógio soa pontualmente às seis e meia, fora de sintonia. Não escuto a habitual voz do locutor. Em seu lugar, um chiado estridente. Não recordo a freqüência, desligo o aparelho. O locutor não notará minha ausência nesta manhã, jamais participei de uma pesquisa de audiência. Levanto e abro a janela. Aceno para o zelador, que varre o pátio. Não lembro o seu nome e, provavelmente, ele não sabe o meu também: sou só o cara do cento e três.

Meu apartamento fica no décimo andar, em meio a tantos outros décimos andares desta cidade, por entre os quais mal posso ver o dia começar: o sol não nasce mais pra todos, me sobra esta luz cinza…

Hoje é dia 23. Passo a vida contando dias, controlando dívidas, pagando contas. Dos meus dias, sempre iguais, pouco tenho a dizer. Já não sei narrar histórias, já não sei imaginar. Sigo numerando páginas de um livro em branco. Não há nada pra contar…

D.T

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O Pequeno Príncipe

Publicado em Coisas que fazem minha cabeça... por Diego Teixeira em Maio 12, 2008

O Pequeno Pr�ncipeNão é preciso nem dizer que o Pequeno Príncipe não é um livro só para crianças. Há alguns dias, fui comprar uma cópia do livro: procurei por toda sessão infantil, na de literatura estrangeira, francesa, e nada! Desisti de qualquer classificação, procurei por todas as estantes, e nada! O livro estava em uma pilha em cima do balcão. Vai ver lá também não rolou um consenso sobre a melhor classificação…

Se você nunca leu, não se intimide se a primeira vista lhe parecer infantil, ou porque ele tem fama de ser o livro de cabeceira de toda candidata a miss-qualquer-coisa, ou porque algum “intelectual” por ai o despreze. O certo é que o livro é único e fundamental.

Nunca li o livro quando criança. Deparei-me com o livro há alguns anos, no ensino médio para ser mais exato, enquanto tentava aprender francês (ainda não aprendi). Emprestei uma edição bilíngüe da biblioteca. Acabei lendo o texto em português mesmo, três vezes! No momento, sabe-se lá quantas vezes já li. Se toda a minha empolgação não lhe convencer, fica aqui um trecho da nota inicial:

Não é um livro para crianças, porque traz justamente a mensagem da infância, a mensagem da criança. Essa criança que irromperá de repente no deserto do teu coração, a milhas e milhas de qualquer região habitada, – e na qual reconhecerás (ó prodígio!) os teus olhos, o teu riso, a tua alma de há vinte ou trinta anos. A menos que não queiras ver, a face do Pequeno Príncipe, a face de um outro, coroada com espinhos de rosa… Este livro é também um teste. É o verdadeiro desenho número 1. Se não o quiseres compreender, se não te interessares pelo seu drama, aqui fica a sentença do principezinho: – “Tu não és um homem de verdade. Tu não passas de um cogumelo!”

Versão on-line do livro: Tem uma versão completa em português disponível na internet. :)

Audiobook: No 4shared.com tem o audiobook para download (30 mb). Interpretado por Paulo Autran e com trilha sonora de Tom Jobim.

Números

O Pequeno Príncipe é o livro francês mais vendido no mundo, cerca de 80 milhões de exemplares, e entre 400 a 500 edições. Também é a segunda obra literária mais traduzida no mundo, depois da Bíblia, tendo sido publicado em 160 línguas ou dialetos, incluindo o guaraní, aranês, o amazigh e o xhosa, uma das 11 línguas oficiais da África do Sul.

No site elpetitprincep.eu existe uma lista alfabética de edições em várias linguas e também um mapa mundial de traduções.

As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: “Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que coleciona borboletas?” Mas perguntam: “Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?” Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: “Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado…” elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: “Vi uma casa de seiscentos contos”. Então elas exclamam: “Que beleza!”

O autor

Saint-ExuperyAntoine-Marie-Roger de Saint-Exupéry, nascido em Lyon, em 1900, de família rica, passou parte da infância em um castelo, foi um dos pioneiros da aviação comercial e serviu o exército francês como piloto de guerra, desaparecendo em vôo secreto de reconhecimento entre a Provence e o sul da Córsega, em 1944. A causa do desaparecimento permaneceu um enigma por muitos anos até os destroços do avião de Saint-Exupéry serem encontrados em 2004.

Era um viajante. Viajava para aprender. Seus textos têm forma de confissão, anotações, cartas, diários, cadernos, notas de viagem, redação de explorações e de descobrimentos. Na França, existem restaurantes com o nome de seus livros e no Japão há um museu dedicado ao escritor.

As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando. Tive pois de escolher uma outra profissão e aprendi a pilotar aviões. Voei, por assim dizer, por todo o mundo…

O Filme

É um musical dos anos 1970. Portanto, esqueça efeitos especiais de última geração, piadas “espertinhas” ou aventuras alucinantes. “O Pequeno Príncipe”, de Stanley Donne, é poético sem ser chato. Richard Kiley faz o piloto que cai no deserto, Bob Fosse é a serpente, Gene Wilder (o Willy Wonka da primeira “Fantástica Fábrica de Chocolate“) é a raposa carente e o loirinho Steven Warner faz o Pequeno Príncipe. Este último, pelo que eu entendi, não fez mais nenhum filme como ator, mas encontrei um nome igual (não sei se é a mesma pessoa) em equipes de efeitos especiais de vários filmes.

No Youtube existem alguns trechos do filme:

“Desenha um carneiro pra mim?”

“Então pra que servem os espinhos?”

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

“É apenas muito longe pra carregar este corpo junto…”

Curiosidade:

O avião usado no filme é o mesmo que Saint-Exupery caiu no acidente que inspirou o livro.

Acidente que inspirou o livro?

Sim. Em 29 Dezembro de 1935, Antoine e seu mecânico Prevot caíram no deserto, onde passaram cinco dias morrendo de sede, tendo miragens e quase morreram, quando, então, foram resgatados por beduínos. Esta experiência serviu de pano de fundo para o Pequeno Príncipe.

Assista o filme no celular:

No site iCelular.net tem o filme completo para download em 3GP para celular.

E assim, o Diego começa mais um blog…

Inté!